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29/07/2018 - Ozonioterapia na berlinda

No dia 8 de julho do presente o programa Fantástico, da Rede Globo, apresentou uma matéria que pretendia falar sobre a ozonioterapia. Entretanto, o tema foi apresentado de forma sensacionalista e pouco elucidativa, na medida em que não buscou o esclarecimento sobre o quê vem a ser a ozonioterapia, mas sim a apresentação de imagens clandestinas de dois médicos que utilizam o ozônio medicinal em seus consultórios. 

Na realidade, a matéria poderia se enquadrar dentro do tema ‘más práticas médicas’, já que o quê se viu foram espiadinhas de reality show com declarações informais e irresponsáveis dos dois médicos filmados clandestinamente, cuja avaliação moral e ética pode ser questionada, mas cuja forma e conteúdo nada tem a ver com ozonioterapia e sim com a postura profissional.

Na matéria, ficou evidente a intenção de atacar a ozonioterapia por via transversa e não direta, buscando o sujeito e esquecendo o tema proposto, a argumentação e o debate científico. Esse fato pode ser comprovado pela simples cronometragem do tempo destinado aos entrevistados. O depoimento do Presidente da Associação Brasileira de Ozonioterapia, o Dr. Arnoldo Souza, durou somente 32 segundos, e ele não teve a oportunidade de explicar a técnica, sendo apresentado  traçando considerações sobre a medicina em geral. Estou certo de que o Dr. Arnoldo tinha bem mais a falar (e deve ter falado) do que os meros segundos editados em que apareceu. E observem que a matéria ‘jornalística’ teve a duração total de aproximadamente 15 minutos, o que leva a crer não ter sido um problema de escassez de ‘tempo de televisão’. Até porque, em contrapartida, o infectologista convocado pelo programa ocupou 50 segundos com suas explicações, o hepatologista se estendeu em 53 segundos e o conselheiro do CFM 31 segundos, todos com opinião contrária a ozonioterapia. A cirurgiã dentista, dizendo que odontólogos usam sim a ozonioterapia mas não curam o câncer (sic) ganhou 37 segundos de exposição, mas parecia intimidada, mais preocupada em se escusar do que falar das propriedades benéficas do método. Até um advogado criminalista teve oportunidade, fazendo ameaças de estelionato aos médicos que usarem ozonioterapia. Ele ganhou 16 segundos de falação no programa.

Entendo que a discussão aprofundada e detalhada sobre as propriedades medicinais da ozonioterapia não tenha, na visão do produtores do programa, o mesmo apelo fantástico que a apresentação do dia oito, já que problemas e soluções médicas são matérias complexas - sendo mais fácil o maniqueísmo entre o bom e o mau.

Entretanto, o mínimo que se podia esperar de um programa que visa esclarecer ao público seria abordar o tema sob seus diversos ângulos dando as partes implicadas a oportunidade de explicar os seus pontos de vista. Não foi isso o que vimos na matéria do Fantástico. Ela só serviu para despertar o receio, confundir o espectador e servir a uma causa cujos verdadeiros interessados não aparecem de imediato.








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