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09/05/2013 - DIETA alcalina: é mesmo uma boa idéia?

Há bom tempo uma discussão toma conta da mídia, principalmente nos EUA, a cerca da dieta alcalina e seu potencial benefício para a saúde  no que concerne à composição mineral óssea e risco de doença como a osteoporose. A denominada acid-ash hypothesis.

Uma dieta ácida está apoiada em carnes, laticíneos e grãos enquanto que a alcalina em vegetais e frutas.

A acidez e alcalinidade são medidas pelo Ph, ou seja, pela quantificação dos íons de hidrogênio disponíveis em uma solução. E essa medição pode ser feita nos alimentos, seus produtos de transformação e também no sangue, cujo Ph normal oscila entre 7,35 e 7,45. Estes são os limites ideais para as reações químicas do organismo.
Um sangue muito ácido, produto de uma alimentação igualmente ácida, exige que as reservas de elementos alcalinos sejam mobilizadas para estabilizar o Ph nos valores recomendados. O cálcio é o principal elemento nesse caso, cujo reservatório está nos ossos sob a forma de compostos carbonatados e fosfatados.

Os órgãos que executam a regulação direta do Ph do sangue são os rins e os pulmões, que compensam as variações de Ph decorrentes da qualidade da dieta ou de qualquer outra origem.

Estima-se que uma dieta moderna (ácida) poderia levar a uma perda urinária de cálcio da ordem de 480 gramas num período de 20 anos, o que significa aproximadamente a metade da massa de cálcio do esqueleto.

Entretanto, uma revisão de vários trabalhos científicos (meta-análise) provou que a dieta ácida não leva a perda óssea e a osteoporose, pois, ao que parecem, mecanismos de compensação entram em jogo e compensam as perdas, como maior absorção e menor excreção intestinal de cálcio.

Os estudos nessa área se estendem ainda sobre a avaliação de uma dieta rica e pobre em proteínas observando que as mulheres com histórico de dieta podre em proteínas tem maior risco de desenvolverem fraturas de colo de fêmur. E as que recebem suplementação proteica após episódios de fratura tem melhor recuperação.
Nesse caso, níveis adequados proteicos poderiam ter um papel mais importante na conservação óssea que o efeito do Ph do sangue.

A discussão estabelecida pela acid-ash hipotesys deixa escapar aspectos importantes do ponto de vista dietético e põem em risco uma leitura desavisada que pode confundir mesmo indivíduos envolvidos com o tema.

Ao colocar de um lado carnes, laticíneos e grãos. E do outro lado frutas e verduras leva-nos imediatamente a refletir e parece estigmatizar a dieta mais vegetariana como ineficiente, ao menos do ponto de vista óssea, ou mesmo nociva, pela privação proteica.

Uma análise não sob o prisma da acidez e alcalinidade ou da riqueza ou pobreza de teor proteico, ainda que esses parâmetros devam também ser avaliados, mas da natureza carnívora ou vegetal da dieta é necessária para entendermos mais sobre inúmeros problemas de saúde contemporâneos.

Uma dieta deve ser entendida do ponto da totalidade dos seus componentes e não só por um parâmetro de análise.

Na próxima postagem vou analisar os benefícios de uma dieta preponderantemente vegetal.


Fenton TR, Eliasziw M, Lyon W, Tough SC, Hanley DA. Meta-analysis of the quantity of calcium excretion associated with the net acid excretiuon of the modern di-et under the acid-ash DI-ET hypothesis. Am.Jour.Clin.Nutrition, vol 88 N.4, pp 1159-1166  2008.









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