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08/05/2020 - Os Cinco Movimentos e o mundo em que vivemos -2 Do Inverno a Primavera


No artigo anterior procurei apresentar a ideia da concepção dos Cinco Movimentos, muito utilizada na medicina chinesa, aplicando-a ao ciclo da vida humana animal e a aspectos anatômicos e funcionais do organismo.

Vimos que as expressões de força (que poderíamos chamar de energia) de cada MOVIMENTO tem características específicas e correspondem às funções de órgãos internos, dos sentidos; emoções e manifestações psíquicas. Bem como aos movimentos da natureza, como frio, calor, umidade, vento e secura, além das estações do ano.

Preferi chamar cada Movimento pelo nome das estações, por achar que fica mais fácil de compreender e fixar.

Agora, farei a sobreposição desses mesmos conceitos para o organismo social.

Considero que este expressa o que ocorre na natureza, pois é parte dela. Não existe vida no planeta Terra que não esteja submetida às leis que o regem.

Para alcançar meu intento, que é entender o momento que estamos vivendo, terei que voltar no tempo, quando tem início a história humanidade.

As civilizações se formam de grupos humanos que em ação conjunta passam a se organizar economicamente, criando linguagem estruturada, compartilhando crenças, hábitos, leis, ritos e etc. O que chamamos, de forma abrangente, de cultura.

Podemos citar as mais antigas: hindus, sumérios; egípicios, chineses, hebreus, dentre outras.

Inicialmente elas estiveram restritas aos seus territórios, algumas empreenderam ações de movimentação, formando impérios com alcance limitado. Certamente, com a preocupação de garantir a segurança e a integridade da sua existência, física e cultural.

Esse período histórico eu comparo com o período embriológico fetal, quando a vida está ocupada com a sua estruturação interna, proteção com relação ao ambiente externo, estreitamento de ligações já existentes e a coerência (laços culturais), vivendo portanto sob a influência do Movimento do Inverno,ainda que em momentos de apogeu o surgimento tímido do Movimento da Primaveratenha se manifestado (primeiras iniciativas de movimentação externa)

Com o passar do tempo, fortalecidas em diversos aspectos e com necessidades vitais, o ambiente externo passou a ser explorado de forma sistemática, não por nômades, mas por esses corpos sociais organizados e bem estabelecidos. O maior exemplo de sucesso nesse caso talvez seja o do império romano que estendeu a territorialidade a partir de Roma por grande parte da Europa, oriente médio e norte da Africa. Tiveram outros, como os persas anteriormente e os muçulmanos, depois. Mas pela extensão territorial e, sobretudo, porque no seio daquele se desenvolve o cristianismo, podemos considerar a sua maior importância.

Esse impulso pelo movimento, exploração e domínio do espaço continuaria a ocorrer cada vez mais, ganhando a forma de ganho territorial. Como motivação, a exploração e obtenção de recursos, a satisfazer as necessidades de subsistência, conforto e manutenção da sua civilização. Reafirmação de potencialidades raciais, étnicas e culturais.

O período icônico desse movimento de prospecção e domínio territorial, que se estende ao longo do primeiro milênio de nossa era até meados do segundo, são as grandes navegações, protagonizadas por portugueses e espanhóis. Naus mais robustas - caravelas - impulsionadas pelo vento, são os veículos das viagens organizadas.

Este é um momento histórico marcante no qual a civilização – no caso a ocidental - estende o seu domínio territorial a todo o planeta, trazendo junto consigo seus princípios civilizatórios com base no cristianismo. Ele se completa e chega ao ápice com o domínio do império britânico.

Esses quase dois mil anos de história da civilização ocidental estão sob a égide do Movimento da Primavera. A contar, do seu início incerto, titubeante, paroxístico e limitado, até o seu apogeu em vigor, capacidade de movimentação, exploração, dinamismo e finalmente conquista do território e do espaço físico.

Lembremos que o Movimento da Primaveraé caracterizado por movimentação (olhos que orientam e músculos que nos movem), impulsão (instinto que nos põe em busca de), capacidade empreendedora (força da libido que move no sentido da satisfação), assim como pela raiva (motivada pela frustração), ressentimento e depressão. E que a expressão da natureza que o caracteriza é o vento, que como vimos, foi fundamental a que o Movimento da Primaverase desenvolvesse plenamente.

Sob essa perspectiva, não por acaso, esses dois mil anos também estão marcados por guerras, conflitos e depressões. Relacionados a luta pelo território e seus bens.

Ao mesmo tempo, a consolidação de estruturas internas de organização (plenitude no Movimento do Inverno, já passado) permitiu avanços em diversos campos o que iluminou e arejou o pensamento, favorecendo a estruturação do pensamento científico. A musculatura social se expressa no reconhecimento e domínio sobre as fontes naturais que permitirão o desenvolvimento e o aprimoramento das leis e dos Estados (ainda que em constante disputas territoriais).

Esse período se confunde com o predomínio da civilização judaico-cristã ocidental sobre o planeta.

Após a derrota napoleônica, em 1815, o domínio territorial do império britânico sobre o mundo é inquestionável. Como sabemos, ele se estendia do ocidente ao oriente e dizia-se que nele o sol nunca se punha.

Entretanto, sabemos que quando se chega ao ápice de uma ‘estação’ tem início a que lhe sucede.

No caso, o Movimento da Primaveratinha chegado ao seu extremo. Um novo movimento teria origem, ainda que os ‘ventos’ daquela ainda estivemos presentes. Mantendo o sentido de expansão Yang, que caracteriza o Movimento da Primavera. Mas, o Movimento do Verãocomeçava a dar sinais de seu início.

No próximo artigo analisarei o Movimento do Verão, como ocorre e suas implicações no mundo contemporâneo.








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